O Amor em todas as suas faces
23 Fevereiro, 2009

Eu estou prestes a completar 1 ano de casada e isso me deixa muito feliz!
Para que possam entender melhor, eu e meu marido nos conhecemos no final de Setembro de 2004, pela internet, de uma forma muito improvável, pois se eu não fosse tão novata no Orkut, talvez tínhamos demorado um pouco mais a nos conhecer. Eu entrei numa comunidade do ator Al Pacino e lá estava a foto dele, lindo! Era de madrugada, eu estava no trabalho e comentei com a minha gerente – “Que homem Lindo!” – ela veio ver na minha mesa e falou para eu adicioná-lo, mas na verdade nenhuma das duas sabia o que estava fazendo, pois eu estava tentando ajudá-la a entrar no Orkut que era todo em inglês na época e ela não entendia. Assim tudo começou, eu adicionei, ele aceitou e começamos a nos falar.
Em pouco tempo ele descobriu que eu tinha um FOTOLOG (www.fotolog.terra.com.br/sheilangel1) onde eu mais escrevia meus textos que postava fotos e eu descobri que ele tinha alguns blogs e que escrevia muito bem. Aos poucos fomos ficando muito próximos e em 2005 ele veio morar em São Paulo. Como temos uma diferença de idade grande, nós tentávamos nos convencer que seria inviável ficarmos juntos e nos tornamos grandes amigos, conforme prometemos no nosso primeiro encontro pessoalmente na Cantina Divina Itália em 28/11/2004 e cumpríamos a promessa de estarmos sempre juntos, inseparáveis e também a promessa que ele fez no meu fotolog em 13/10/2004: Em 13/10/2004, às 17:53:43, Luís, sim, menino do MSN. disse:
Enquanto eu te conhecer, vc nunca estará sozinha…Um beijo
Assim começou uma linda história de amor!
Nosso primeiro beijo aconteceu em 18/03/2005 e começamos a namorar efetivamente em 17/07/2005, entre esse período tivemos muitas dúvidas, incertezas e fomos nos adaptando a nossa realidade e percebendo que nossas diferenças só agregavam sabedoria aos dois. Em 15/11/2005 ele resolveu que queria largar o curso de Direito e tentar a vida em Londres, foi um choque para mim, mas eu não tinha o direito de pedir que ele ficasse, ali percebi o quanto meu amor era forte e verdadeiro, pois dei total apoio a ele. Chegamos a terminar por 15 dias e voltamos devagar, conscientes de que ele iria embora e nesse período nos unimos mais ainda, era como se fosse o último dia todo dia. Uma cena muito bonita foi quando fomos ao museu do Ipiranga, nos abraçamos e de repente pensamos na mesma música juntos – Strawberry Fields Forever (The Beatles) – e começamos a chorar pensando em como seria nossa vida separados. Mas somente Deus sabe todas as coisas e ele resolveu prestar vestibular para a área que realmente gosta e enfrentar tudo e todos, começar do zero e ficar no Brasil! Mais uma vez eu apoiei sua decisão e ali começávamos uma vida juntos, pois em fevereiro de 2006 estávamos morando juntos, eu, ele e meus dois irmãos. Neste período contamos com a bondade, o paoio e generosidade imensa de meu pai.
A partir dali nosso amor foi testado constantemente, pois diferente do que estávamos acostumados morando com nossos pais, enfrentamos muitas dificuldades, mas todas foram muito pequenas perto do amor e dedicação de ambos, isso só nos fortaleceu. Sentia a mão de Deus em todas as coisas e depois de 9 meses desempregado ele conseguiu um ótimo emprego que mudaria tudo que estava acontecendo. E em outubro de 2006 mudamos do apartamento do meu pai para um alugado, mais uma vez com a ajuda do meu pai. Um lugar mais próximo do nosso trabalho e que nos permitia mais tempo juntos e impunha algumas responsabilidades. Era o aprendizado, Deus estava nos ensinando devagar a caminhar juntos, somente os dois.
Em todas as fases sempre houve muito companheirismo, colaboração, paciência e superação, mas o que sempre tivemos de maior foi amor e fé!
Em 25/12/2007 resolvemos nos casar, foi assim de repente, queríamos construir nossa vida juntos, estávamos nos formando na escolinha que Deus nos colocou e ensinou, pois resolvemos de uma hora para outra que nosso amor mereceia ser oficializado e abençoado por Deus efetivamente. Hoje vejo que não foi em vão! Pois Deus se mostrou muito presente em todos os momentos daqueles 2 meses e 17 dias para organizar nosso casamento!
Não tínhamos juntado dinheiro, não tínhamos comparado um imóvel, nunca tínhamos nos casado antes, era nossa cara, coragem, amor e fé novamente. Não vou dizer que foram somente flores neste período, foi uma luta! Muitas vezes choramos muito, nos entristecemos com situações desnecessárias, nos surpreendemos com outras situações, mas tivemos apoio financeiros de pais (biológicos e padrastos, madrastas), tios, primos, amigos, avós, bisavô e irmãos), tivemos muito apoio psicológico de amigos, familiares e até desconhecidos, mas o que tínhamos mais certeza é que Deus estava ali, nos guiando, nos abençoando e tornando possível a realização de nosso casamento!
Nos casamos em 15/03/2008, foi uma cerimônia linda e emocionante, todos que amamos estavam presentes e aqueles que já se foram também estavam, tenho certeza. Após a cerimônia os parentes e padrinhos foram conosco para a Cantina Divina Itália, onde a Norma, proprietária, nos permitiu realizar a recepção, pois conhecia nossa história que começcar ali.
Ganhamos a Lua de Mel de algins amigos queridos e ficamos 5 dias num lugar amaravilhoso, tranquilo e aconchegante! No final, conseguimos realizar o casamento dos nossos sonhos e a recepção no local que queríamos, com tudo que precisávamos e com pessoas amadas e queridas! Deus permitiu que tudo isso acontecesse, pois ele está onde existe amor!
Mais uma vez contamos com a generosidade dos meu pai e agora também dos meus irmãos, Cris, Rafa e Biba, e moramos num ótimo apartamento e temos tempo para colocar nossa vida no eixo para depois financiar o imóvel e contamos com meu sogro, meu padrasto, minha mãe – que foi tão companheira e presente durantes a organização do casamento e de nossa casa – minha madrasta, minha sogra, minha cunhada e minha madrinha Barbara para arrumar, pintar e até reformar o apartamento.
Hoje vejo que neste um ano o Amor vem se mostrando de diversas formas e percebo em cada ato nosso a demnstração dele. Por exemplo, quando meu marido chega cansado do trabalho e pára tudo para estar ao meu lado na sala e conversarmos sobre nosso dia, quando ele se dedicou um final de semana inteiro pra mim, pois eu estava de cama, ele fez almoço, passou roupa e cuidou das minhas costas fazendo compressas e massageando para eu melhorar, quando parecemos perdidos nas novidades desta vida a dois, agora só nós dois e olhamos um para o outro e fazemos uma brincadeira boba que muda tudo, quando ele aceita dormir com a veneziana um pouco aberta para entrar luz a noite porque tenho medo de escuro e quando acordo antes para fechar essa veneziana quando está amanhecendo, pois ele não gosta da claridade! E tantas outras coisas que nos proporcionamos e faz com que esse amor cresça mais e mais dia a dia! Tem uma coisinha simples que eu faço que sei que muda o dia do meu marido, deixo todas as cortinas, portas e janelas de fora do nosso quarto fechadas antes de dormir para ele não pegar claridade quando acorda, pois sei que isso acaba com o humor dele, é tão simples, mas é esse cuidade que temos um com o outro que faz nosso amor florecer.
O que posso dizer de todos esses anos juntos é que eu sou privilegiada, pois encontrei o amor da minha vida quando já estava madura suficiente para entender o quanto ele é importante e insubstituível para mim! O quanto eu devo a ele por ter me ensinado a ver o mundo de forma diferente e de fazer concessões e reanalisar, perdoar, amara de todo o coração e construir essa realidade tão linda que temos hoje!
Somos a prova de que o amor não tem idade, cor, forma, pois estamos acima disso e temos uma grande certeza que é a de que se não fosse da vontade de Deus, não estaríamos juntos, somente Deus sabe de todas as coisas e nos permite essa felicidade! ” Os Planos de Deus nunca são frustrados!”
Meu marido, meu amor, minha vida, ele vai viajar sexta feira que vem para ver sua mãe e família no Canadá, eu não vou junto, pois não estarei de férias e já estou sentindo um frio na barriga de t~e-lo ausente por 15 dias. Ele volta no dia 14/03 e chega aqui as 7:30 h do dia 15/03, dia em que completamos 1 ano de casados, o que dia que podemos e devemos comemorar e regar nosso jardim de amor! Ele poderia passar 1 mês no Canadá, mas escolheu 15 dias para estrmos juntos no nosso dia, é disso que falo, essas são as faces do amor, é quando renunciamos algo para agradar quem amamos e nós fazemos isso todos os dias e por isso Deus nos abençoa!
Lu, meu amor, eu te amo de todo meu coração e estarei sempre ao seu lado, te apoiando, te ajudando e te amando!
Da sempre sua She.
Quando aquele casal decidiu, apesar de todas as imensas dificuldades, ficarem juntos, não imaginavam o que vinha pela frente.
Ele, um homem de quase 40 anos, 1.88 m, pele alva, lindos olhos verdes, sereno, daquelas pessoas que conseguem acalmar o mundo com um simples olhar. Ela, quase uma menina, não fosse o fato de já ser mãe e de estar totalmente envolvida numa história que somente começava a ser escrita. Ele era muito culto, um dos filhos de um italiano muito bravo e tradicional que se instalara no Sul de Minas Gerais. Ela era uma das filhas de um oleiro do Sul de Minas Gerais, sem estudo, apenas força de trabalho e uma revolta muito grande com tudo, mas isso era um detalhe perto dos lindos olhos negros, pareciam jabuticabas, as madeixas negras, levemente cacheadas, a pouca estatura dava um charme delicado, destacando as belas penas torneadas. Ela tirava aquele grande homem de seu caminho, desde a primeira vez que ele a viu.
E foi nessa época, depois de tantas dificuldades e com mais outras tantas por vir, que ele estava fora de São Paulo, pois ainda não tinha recebido a autorização de Roma para largar a batina, sendo assim continuava a rezar missas, em Latim, e sua família quase sempre não podia acompanhá-lo. Deixou sua esposa grávida e sua filha aos cuidados de sua irmã. Passava dias e noites com muitas saudades e sempre a espera de notícias.
Em 15 de novembro de 1947 seu telefone tocou, era sua cunhada, alegre como sempre, a pessoa mais alegre e otimista que todos que a conheceram puderam ter por perto. Ela trazia boas notícias, seu filho havia nascido!
Esse era um grande momento para ele, aquele homem maduro, muito bonito e cheio de experiências grandiosas, estava feliz, muito feliz, seu primeiro filho homem havia nascido, estava saudável e levaria além do sobrenome da família, a união dos nomes dos pais. Seria ele que eternizaria a bela e sofrida história daquele casal.
Esse filho sempre foi muito amado e foi ele que o pai escolheu para acompanhá-lo nos longos períodos longe de casa, foi a ele que aquele grande homem passou toda sua sabedoria e motivou para que fosse um grande homem e um grande pai, foi esse filho que herdou as grandes qualidades daquele pai.
Durante toda a vida, esse filho se espelhou naquelas tardes em Barretos ao lado de seu pai, se tornou o melhor amigo daquele pai e sua grande esperança de que tudo podia dar certo!
Em 1972 o filho virou pai e pôde sentir toda a felicidade que seu pai sentiu, a partir daí passou àquela criança todos os grandes ensinamentos que seu pai lhe passou e fez questão que aquele grande homem que tudo lhe ensinara fizesse parte da vida daquela nova criança.
Em 1976 o filho foi pai mais uma vez e Deus presenteou o novo filho com os olhos do avô. Mais uma vez a presença daquele grande homem em todos os momentos na vida do filho foram essenciais para que ele enfrentasse todos os dilemas que vivia e viria a viver.
Em 1983 a primeira filha faria primeira comunhão e foi ao avô que recorreu para saber mais sobre religião, ela era muito apegada aos avós paternos, era o ‘xodó’ dos dois, a única que podia beber água no copo dele e que recebia todo o carinho e amor que possa imaginar. A cena dela sentada, nas longas pernas do avô, aprendendo a rezar o “Credo” foi tão linda, mas infelizmente foi o último contato físico dos dois. Logo após ele foi internado e ela se lembra de usar o anel que ele lhe deu, a única jóia que havia dado a sua avó, no dia da Primeira Eucaristia e de pensar nele o tempo todo, mas ele não estava presente. Neste mesmo mês o filho foi pai mais uma vez e nascia um menino que mais tarde revelaria vários dons iguais ao do avô, que o conheceu apenas por foto, a qual benzeu como um padre e o abençoou.
Era um domingo de sol, Dia dos Pais, agosto de 1983 e aquele grande homem partia, deixava o filho desnorteado, os netos, os outros filhos, a esposa, os poucos amigos, os irmãos. Um símbolo de bondade e luta, de fé permanente em Deus, estava indo para o céu.
Das coisas que deixou para todos os que o amavam, a principal é o filho, aquele que nasceu em 15 de novembro de 1947, aquele que herdou as melhores coisas do pai e em segundo lugar a sabedoria, o conhecimento e o amor a Deus!
O filho é um grande pai e um grande homem. Ele é alicerce. É um grande amigo que surpreende a cada dia com a palavra sempre certa para todos os momentos, ele acompanha, ele auxilia e direciona, curte todos os momentos e se alegra com a felicidade de todos.
Aquele casal viveu para ver a grande obra que fizeram e mesmo sem a oportunidade de planejar muito, acertaram. Lá de cima eles olham e têm a certeza da missão cumprida!
Ao meu pai, lindo, incrível, amigo, companheiro, conselheiro, um exemplo de pessoa.
Com amor.
Sheila Rolemberg Carozzi Aguiar Garcia
Teoria do Espelho
14 Abril, 2008
A rotina de todos os dias me consumia rapidamente no vai-vem da escova de dente. Sai de casa com os cabelos ainda por pentear. E entrei no velho companheiro de todos os dias.
Meu carro.
Já no primeiro semáforo, percebi que alguém mais havia saído junto comigo, olhei ao lado e achei uma figura um tanto quanto bizarra. A mulher, mais descabelada que eu mesma esmurrava o volante enquanto pressionava freneticamente seu aparelho de celular. Aquilo mais parecia um interrogatório de inquisição à qual o pobre telefone, já podíamos adivinhar não tinha culpa alguma.
O carro arrancou e eu fiquei ali, tomada por alguns segundos a imaginar o que estaria acontecendo. Engatei a primeira marcha com um pouco de dificuldade e segui meu caminho.
No próximo farol, qual não é a minha surpresa? Lá está ela, roçando os velhos cabelos com uma escova gasta pelo tempo e pelo uso. Fingi que não olhava, afinal, a qualquer momento ela poderia descobrir sua perseguidora e ir também à desforra comigo, em um exemplo clássico da teoria de substituição idealizada pelo próprio S. Freud. Isso mesmo, eu agora perseguia aquela mulher e nada mais faria tanto sentido em minha manhã quanto fazer isso.
A cada arrancada, freada e buzinada, lá estava eu, incólume ao seu lado e observando todos os seus trejeitos e manias. Acabei por descobrir que ela usa a mesma cor de batom, e até um adereço nos cabelos parecido com o meu. Era curioso o modo como aquela situação me fascinava e me afastava das tarefas diárias pré-concebidas no início do meu dia.
Num certo momento o trânsito se complicou, característica comum da metrópole. E na monotonia incansável da primeira e segunda marcha, me afastava daquela figura apressada e insana. De repente estava lado a lado com ela e aquelas atitudes de nervosismo, intolerância e impaciência me deixavam cada vez mais curiosa, o que podia deixar alguém chegar a esse estado antes das 9:00 horas da manhã? Seria uma noite mal dormida ou um emprego daqueles ruins de engolir? Ou seria uma reunião em que não poderia se atrasar? Tantos foram os motivos que cheguei a pensar que não haveria motivo algum, somente alguém que nasceu predestinada a ter um enfarto no meio do tráfego e virar notícia.
No meio daqueles acontecimentos alheios, mas tão interessantes, toca meu celular, como que um convite para que eu também começasse meu dia. Do outro lado da linha um cliente enfurecido, daqueles que, infelizmente, não eram raros. Ouvi atentamente seu regurgitar e me limitei a alguns “aham” , finalizei com um “estou a caminho do escritório” e tentei dizer que ligaria de lá, mas não deu tempo, me consolo foi o “tum, tum, tum” , normalmente a última frase de meu clientes.
Foi nesse momento de distração que olhei para o lado e ela continuava lá, mais enfurecida que antes. Percebi que estávamos próximas a um lugar ermo e avistei dois garotos com pedras na mão, prontos para atacar, foi quando olhei atentamente para minha nova amiga e vi sua imagem se despedaçar completamente em um misto de som imagens arrepiantes. Logo começou a correria: Os meninos para cima do morro e o caminhoneiro lamentando a destruição de sua frágil encomenda. Alguém sentiria falta daquele espelho. Eu também.
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Sheila e Luís Garcia
